segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O cancioneiro popular de Luiz e seus herdeiros, são universidades


É só agente pensar em qualquer coisa, em qualquer momento e assunto que o cancioneiro Nordestino se apresenta como alternativa, que o diga o “veio Lua” que através de suas letras e melodias encantam e potencializam nosso mundo particular chamado Nordeste.
Vamos lá então:
Para os amantes de geografia, ninguem cantou tantas regiões como Luiz Gonzaga, ele cantou de Norte a Sul de Leste a Oeste, fazendo intercâmbios de culturas e modo como se vive nesta região,  é só pensarmos em: musicas como: "Paraíba masculino mulher macho sim sinhô", Na  Feira de Caruaru.... entre outras enaltecendo a fé e religiosidade como: Viva Meu Padim Cícero Romão... Ainda levando em conta as letras que falam de aspectos geograficos, lembramos então de uma viajem de Recife à Arcoverde a bordo do trêm da Serra, escrita por João Silva e imortalizada pelo Rei Luiz, o interessante desta letra é que nela encontramos de tudo um pouco essa canção para os mais curiosos chama-se Arcoverde Meu e vale a pena conhece-la, e as manifestações culturais como Bumba-meu-boi, nem se fala, ainda podemos encontrar, desde a matança de gado das feirinhas do interior e como eram "loteados" as partes do boi, (Vamos repartir o BOI PESSOAL!) eita! saudade,  narrativas de cidades e estados nas letras e só vasculhar, ex: Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Teresina, Propriá, Garanhuns, Petrolina, Vitória de Santo Antão, Sergipe, entre outras até a Rússia foi cantada acreditem.
     Na História temos contos importantes como a narrativas do Cangaço, dos retirantes, de conquistas para o sertão  tais: eletrificação das cidades sertanejas, construção de açudes, modo no qual as familias da época festejavam casamentos,  as enchentes e namoros proibidos, sem falar da especialidade de Luiz contar o sofrimento do retirante, que na época saia os montes, para o Sul do País, isto é HISTÓRIA entre tantos aspectos historicos narrados é possivel até encontrar nas letras os principais furtos, ou objetos de cobiça dos ladrões da época, caracaterizando assim as riquezas que o povo preservava, ou que detiam maior valor o que hoje são motos, carros, lep tops e celulares na época o Nordestino do interior tinha como maior patrimônio a criação de Caprinos sua riqueza e fonte de sustento, isso é facilmente notado em "Ladrão de Bode", música que ainda conta com os comentários de Luiz e João Silva falando sobre a fama da antiga Glória do Goitá, vulgo no passado conhecida como: "terra do ladrão de cavalo" devido ao grande numero de roubos naquela região .
  E não para por aí, ninguém no mundo, nenhum artista em qualquer modalidade em outra região, retratou a Fauna e a flora como os nossos artistas compositores e interpletes, iniciando por passárros: SABIÁ, ASA BRANCA, GALO DE CAMPINA, VEM- VEM, VIVIM, ACAUÃ, CORUJA, FURA BARREIRA,  ROLINHA (fogo pagou),  GALO, PAU FERRO, PÁSSARO CARÃO, ANUM, CASACA DE COURO, LAMBÚ, ASSUM PRETO,  JUMENTO, MULA PRETA, TATU, CALANGO , LACRÁIA, CAVALO CRIOLO, GALO GARNIZÉ , GATO ANGORÁ, MARIMBONDO, MANGAGÁ, URUBU, CODORNA entre outros, tantos é tantos que até um grande poeta do Ceará tinha o nome de uma ave PATATIVA do Assaré.
   Flora então temos aos montes: ROSA, FLOR DO CARDEIRO, FLOR DO MANDACARÚ, LÍRIO AÇUCENA, MANGA,  CAJU, SAPUTI, ACÁCIA AMARELA,  ALGODÃO, MILHO, ARROEIRA,
CAFÉ, CANA, CUTUBÁ, MARAVILHA, GILÓ, UMBUZEIRO, JUAZEIRO, JASMIM, MASTRUZ, CATUABA, QUIXABA, FEIJÃO este é apenas um apanhado do mestre da nossa cultura e ainda tem gente que diz Luiz esta ultrapassado, assim como a música por ele plantada,  como dizem os populares dos sites de relacionamento: kKKKK, é muita impocrisia estudar as letras de Gonzaga é estudar o mundo e seus fenômenos assim como a propria existencia humana e mudanças de comportamento, o que podemos então denominar Sociologia.
   É tem muito mais ainda, as lendas os contos, folguedos e manifestações religiosas estão presentes no cancioneiro, o que dizem os criticos quando escutam por exemplo: a famosa briga de rua ou de feira por troco ( EU LHE DEI VINTE MIL REIS PRA TIRAR T~RÊS E TREZENTOS......) ou mesmo de um taxista com seu passageiro, isto tudo esta nas nossas cidades do interior, quem mora no Nordeste e não sabe disso é  um E.T , pois quando escutamos Gonzaga sentimos ricos e sóbrios em tudo, e só foirtalece nosso ego saber que lutamos e muito mudamos e conseguimos de lá pra cá, e uma boa forma de arquivo musicado e não cansativo é escutar com saudosismo e respeito a boa, experiente e indispensável musica de influência gonzaguiana. Vejam esta Narrativa:

Terra Vida e esperança
" Estou no cansaço da vida Estou no descanso da fé Estou em guerra com a fome Na mesa, fio e muié Ser sertanejo, senhor É fazer do fraco forte Carregar azar ou sorte Comparar vida com a morte É nascer nesse sertão A batalha tá acabando Já vejo relampear Abro o curral da miséria e deixo a fome passar O que eu sinto, meu senhor Não me queixo de ninguém O que falta aqui é chuva Mas eu sei que um dia vem vai ter tudo de fartura prá que teja o que não tem "
  (Jurandir da Feira e Luiz Gonzaga)
 
 Esta situação pouco mudou e frenquentemente encontramos nas cidadades sertanejas. Ai acima é uma letra de um homem simples que colou a situação que o cercava na poesia simples em linguagem, mais profunda e exoberante no sentimento, é este Nordeste que faço parte, que somos tão ingratos que muitas vezes não percebemos o que nos rodeia.





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